Marcos Clark. Tecnologia do Blogger.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Longitude


Quarta de manhã, Leblon, frente ao mar. Sentei pra refletir. Perdi hora. Um cigarro após o outro. Hora de ir. Ando a passos lentos. Pedras chutadas pelo caminho. Sobre nada refleti.
Sinal fechou. Todos param. Carros em demasia cortavam meu caminho em alta velocidade. Pensei em me jogar. Medi velocidades, calculei o estrago. Pensava em cada carro e na minha mãe. Pensei nos amigos, no hospital. Imaginei-me deitado na maca sem ter como escrever. Pensei em fama e lágrimas. Pensei na família do motorista felizardo e ri. Achei engraçado.
De novo os amigos. Visitariam-me no hospital? Não se sabe.
Não pensava na morte, só na desgraça. No estrago previamente calculado. Uma perna ou duas, algumas costelas e muito sangue. O sangue. Sangue insuficiente pulsava onde não havia abertura. Que mantenham meus braços.
Dramatizava me dramatizando naquele uniforme azul. Minha mãe de novo. Pensava em como seria ela voltando ao hospital não mais como paciente, impaciente. Como lidaria sabendo que fora intencional? Internar-me-ia após a internação? Anti-depressivos e folhas de chá. Não fora depressão, antes solidão.
Não me jogaria para tentar a morte, na verdade, eu me jogaria mesmo era para me sentir vivo.
Preciso ir. Sinal abriu.

4 Comente aqui:

Rebeca Schutz disse...

A questão é: e se desse certo?

yuri disse...

pensa-se longe...
mas age-se pouco!

V i h disse...

Lindo.

Às vezes é necessário ver o sangue pulsar para sentir a vida que já não se sente.

Lanah Black disse...

"Não me jogaria para tentar a morte, na verdade, eu me jogaria mesmo era para me sentir vivo"
Pq qdo estamos cara a cara com a morte que eh quando mais queremos viver e mais nos sentimos vivos
alias eu tbm ja fiquei pensando essas coisas \z
ashuauhsuha
sou dramaqueen ao extremo \z

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