Marcos Clark. Tecnologia do Blogger.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Manifesto Suicida


Tenho pensado muito em suicídio ultimamente.
Sou bastante frustrado por nunca ter conseguido levar esse plano adiante.
Eu queria ter coragem, sabe?
Tomar todos esses medicamentos de uma vez, ingerir um pouco de álcool e definhar até meus sentidos desaparecerem por completo.
Eu queria ver o estrago que isso poderia causar.
Queria ver como é do outro lado.
Ver se existe mesmo Deus ou perdão.
Me sinto tão perdido aqui.

É como se o mundo não fosse bom o suficiente pra mim.
É tudo pesado demais.
Eu quero ser livre.
Meu corpo é pequeno demais pra mim, uma prisão na qual não consigo ao menos ficar de pé, minha mente é meu pior purgatório.

Eu queria sentir menos, queria mesmo ser ignorante.
Gritar no travesseiro não tem adiantado muita coisa.
Eu escrevo, escrevo, escrevo e o peso continua aqui dentro.
O grito continua preso na garganta.
O buraco continua aumentando e está ficando cada vez mais difícil enxergar algo belo.
- "O coração é como um punho cerrado."
Ouvi em alguma peça de teatro, e já estou tão cansado de lutar.

Essa merda de sociedade não ajuda em muita coisa, nos tira a esperança desde o nascimento.
Temos todas essas regras ineficáveis e esses dogmas estupidamente ultrapassados... arhg!
Pessoas que deveriam se ajudar, se matam por conta de pedaços de papel.
Enfiem essa grana no cu!
Não quero ser bem-sucedido, não quero seu dinheiro ou seu espaço-no-mundo.
Não quero me vender pra comprar essas coisas que nem mesmo preciso.
Eu quero ir embora daqui.

A humanidade está fadada ao fracasso.
Nem sei como ainda não explodimos de tanto ódio e rancor.
Bombas de nêutron, hipocrisias, idiocrassias, me dão tanto nojo.
Eu não pertenço a esse lugar.

Desde pequenos somos levados a acreditar pelos contos de fadas e nas letras de músicas que encontraremos o amor altruísta, que seremos felizes no final, mas cadê?
Só o que vejo é medo, insegurança e egoísmo.
Ninguém tem amado ninguém pelo que a pessoa é.
Sou toda essa mistura de idéias e questionamentos, eu deveria me amar e no entanto me odeio.

A gente é tão fraco que vive cada minuto tentando encontrar alguém que nos dê um motivo.
Estamos tão desesperados que nos agarramos na primeira pessoa razoavelmente bonita que nos dê carinho e um pouco de atenção.
Não adianta, assim como todo divórcio começa com um pedido de casamento, todo coração começa a se partir no exato momento em que é reconstruído.
A gente sempre se fode no final e continuamos tentando, é um prazer bastante masoquista.

Nem o conceito de Deus me mantém no lugar.
Eu queria mesmo cair de joelhos e rezar pra algo que realmente exista e se mostre pra mim.
Mas quando faço isso só escuto o retorno da minha própria consciência pesada respondendo com as piores palavras os meus próprios dilemas imorais.
Queria encontrar meu lugar, deitar eternamente em berço esplêndido e dormir ao som do mar e a luz do céu profundo.
Mas aqui onde estou, nessa cama grande e vazia, só existe solidão e melancolia.
Nem dormir direito consigo.

A verdade é que por detrás desse cara aparentemente forte, existe uma criança desesperada gritando por socorro.
Um órfão, perdido num mundo que talvez jamais o compreenderá ou será compreendido por ele.
Somos loucos-fora-da-caverna.
Um lugar de valores corrompidos que corrompem até o que nunca se corromperia.
Tudo aqui é um paradoxo doentio, um ciclo vicioso e bastante perigoso.
Estamos todos perdidos e desamparados.

Não há muito o que fazer.
Talvez tudo não passe de uma grande piada que eu ainda não entendi,
ou talvez eu esteja realmente ficando louco.

9 Comente aqui:

Plinio Piettro disse...

Isso é poesia ou um desabafo?

Plinio Piettro disse...

Isso é poesia ou um desabafo?

Marcos Clark disse...

Minhas poesias são sempre desabafos, meus desabafos, poesia.

Anônimo disse...

Realmente, concordo com a maioria e já concordei com boa parte. Mas sabe, às vezes essa atitude pessimista que nos deixa pra baixo é questão de simples atos, pensar diferente, fazer diferente, olhar praquela flor ali no canto, desviciar a cabeça. E, na boa, vivi pouco, mas uma coisa que eu sei bem é me colocar primeiro que os outros. Se eu não gostar de mim e me priorizar, aí fica difícil.

Marcos Clark disse...

O problema é justamente quando nos odiamos por conta própria, sem nenhum fator externo.

Anônimo disse...

as vezes a vida vira um montante... cheio de lembranças e expectativas irreais.
quero pra sempre um eclipse pra me esconder da luz do sol e ficar afastada das coisas, mas por ser fraca sempre dou a minha cara a tapa... Participando de coisas sem noção e convivendo com gente que não nos faz tão bem assim e aí que esta a maior questão, por mais que queira estar sozinha estamos todo tempo procurando por alguém que tenha algo que perdemos ou nunca tivemos. Acho mais ou menos assim, quase isso.

Anônimo disse...

Sexta-feita à noite: brigas, palavras grosseiras, catarse. Eu não te conheço muito cara e de cara, confesso que não gostei. Mas sua personalidade me interessou e eu me senti mal sendo 'extremo' como eu fui contigo. Foi dever moral meu escrever alguma coisa depois do que eu li, porque eu critiquei um cara que era exatamente igual a mim e fez exatamente a mesma coisa que fiz há um tempo pra fugir disso - da noção da realidade mais cruel do que o esperado. Enfim, como eu te disse, existem exceções, eu sei que sou uma delas e talvez você seja também (pelo menos sua visão de mundo DE VERDADE)e isso te fode completamente. Mas não acredito que é fingindo se encaixar no molde que você ganhe a sociedade ou se mostre mais forte do que ela - é sendo você mesmo e tendo segurança o suficiente de falar que você não precisa dessas merdas de regras pra conseguir o que você quer. Talvez a missão de algumas pessoas seja essa mesmo, de abrir os olhos alheios pra mediocridade e fazer isso aqui evoluir. A parada é parar de direcionar o ódio pelo de fora pra dentro, parar de se culpar por ser diferente da sociedade ao invés de culpar ao invés de culpar a sociedade por ser auto-destrutiva.

Não quero dar uma de fodão, nem de superior, nem quero acarretar admiração nenhuma por mim, porque se no mundo existe hierarquia, no meu não, e eu sei que pelo menos em muita coisa eu posso vencer esse mundo de mierda (:

Marcos Clark disse...

Não se trata de ser um fodão, ou ser diferente ou especial.
TODOS somos iguais, não existe essa merda de gente especial.
As pessoas são diferenciadas pela maneira como vêem ou sentem o mundo.
Eu sinto demais e não gosto nem um pouco do que vejo.
Não me acho superior a ninguém, e não sou de julgar.
As realidades são diferentes.
Ou você aceita a sua, ou vai acabar se odiando.
Eu odeio a minha.
Odeio porque hoje sou exatamente o que sempre quis ser. Tenho tudo o que quis ter, e agora me pergunto: "E dai?"
Segundo o mito de Platão, eu sai da caverna.
E como no mito, sou tido como louco.
Acontece que me arrependo muito de ter saido de lá de dentro, a "caverna" é segura, aqui fora não.
A ignorância é uma espécie de benção, meu caro.
E o que mais me dói é saber que com tudo o que sei e que vejo, não se pode voltar atrás.

Heloisa Rodrigues disse...

É impressionante como você consegue expressar de uma maneira tão simples e singela tudo o que sinto e não consigo falar.
Dá uma moralzinha em meu blog?
soulinchaos.blogspot.com

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